19.9.06

A FALÁCIA DO VOTO ÚTIL


É falacioso o argumento de que o voto nulo só serve para nos eximirmos da responsabilidade pelo destino do país, deixando intacta a ordem sob a tutela de políticos escolhidos por culpa da nossa omissão. Votar não é só um ato de escolha que delega a certas pessoas o poder de decidir pela maioria. Votar é um gesto que expressa como nos sentimos diante dos rumos políticos da sociedade. Em certas circunstâncias, escolher dentre as opções de representação que se oferecem significa referendar um quadro de opções insatisfatórias em seu conjunto, independente das diferenças internas que o compõem. Recusar-se a escolher, por outro lado, é expressar a exigência de que o quadro de opções se renove a fim de que possa solicitar de nós o voto que o legitima.
Assim, votar nulo é, também, participar. Participar emitindo um sonoro NÃO ao cassino político de Brasília, programado para ludibriar um país inteiro.
Os defensores do voto útil nos dizem que o voto nulo é transferência de responsabilidade. Mas votar nulo significa que não aceitamos ser responsáveis pelo que aí está, que nos negamos a legitimar a geléia geral, que exigimos outras opções, já que, a rigor, não há opções naquilo que nos estão oferecendo.